Vacina contra o câncer inovadora destrói e previne o câncer cerebral

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Por: Diário da Saúde  Data: 17/01/2023 às 10:17
Imagem: Reprodução

Pode ser possível transformar células cancerígenas em potentes agentes anticancerígenos.

Uma nova abordagem mostrou que é possível usar uma terapia celular para eliminar tumores estabelecidos e induzir imunidade de longo prazo, treinando o sistema imunológico para prevenir a recidiva ou a recorrência do câncer.

“Nossa equipe buscou uma ideia simples: Pegar células cancerígenas e transformá-las em vacinas e assassinos do câncer,” disse o Dr. Khalid Shah, do Hospital Brigham and Women’s (EUA). “Usando a engenharia genética, estamos reaproveitando as células cancerígenas para desenvolver uma terapêutica que mata as células tumorais e estimula o sistema imunológico a destruir tumores primários e prevenir o câncer”.

As vacinas contra o câncer são uma área ativa de pesquisa científica, mas a abordagem aqui é diferente. Em vez de usar células tumorais inativadas, a equipe reaproveita células tumorais vivas, que possuem uma característica incomum: De modo parecido com pombos-correios que retornam ao pombal, as células tumorais vivas viajam longas distâncias – neste caso pelo cérebro – para retornar ao local de suas células tumorais companheiras.

Tirando vantagem dessa propriedade única, a equipe projetou células tumorais vivas usando a ferramenta de edição de genes CRISPR-Cas9 e as reaproveitou para liberar um quimioterápico, que destrói o tumor.

Além disso, as células tumorais manipuladas foram projetadas para expressar fatores que as tornariam fáceis para o sistema imunológico detectar, marcar e lembrar, preparando o sistema imunológico para uma resposta antitumoral de longo prazo.

Aplicação geral
A equipe testou sua vacina de dupla ação para matar o câncer em um modelo avançado de camundongo com o câncer cerebral glioblastoma, que é fatal para os humanos, e obteve resultados promissores.

O Dr. Shah afirma que esta estratégia terapêutica pode ser aplicável a uma ampla gama de tumores sólidos, mas que ainda serão necessárias mais investigações para sua aplicação clínica.

“Nosso objetivo é adotar uma abordagem inovadora, mas traduzível [do laboratório para a clínica], para que possamos desenvolver uma vacina terapêutica contra o câncer que, em última análise, terá um impacto duradouro na medicina,” concluiu ele.