Sete horas de sono é o tempo ideal para quem passou dos 40

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Por: Canal Tech por Nature Aging  Data: 01/05/2022 às 08:58
Imagem: Getty Imagem

Pesquisadores da University of Cambridge e da University of Fudan, que publicaram sua pesquisa nesta sexta-feira (29) no periódico científico Nature Aging, concluíram que sete horas de sono é o tempo ideal para pessoas de meia idade (em média, de 40 a 60 anos) e de terceira idade (acima dos 60). Menos ou mais do que isso pode diminuir a performance cognitiva e a saúde mental do indivíduo.

O sono é muito importante para manter as funções cognitivas afiadas e ter uma boa saúde psicológica, além de deixar o cérebro saudável ao remover resíduos do órgão. O padrão dessa atividade vai se alterando à medida que envelhecemos, surgindo dificuldades para adormecer ou permanecer dormindo durante a noite. A privação de sono pode diminuir funções cognitivas e até causar desordens psiquiátricas.

Desvendando o sono
A pesquisa, que é uma colaboração entre pesquisadores britânicos e chineses, examinou dados de quase 500.000 adultos de 38 a 73 anos do estudo UK Biobank. Os participantes foram questionados acerca de seus padrões de sono, saúde mental e bem-estar, e realizaram uma série de testes cognitivos. Cerca de 40.000 dos participantes também tinham dados genéticos e imageamento do cérebro disponíveis para consulta.

Examinando os dados, a equipe descobriu que pouco tempo ou muito tempo de sono estão associados a uma diminuição das funções cognitivas, como velocidade de processamento de informações, atenção visual, memória e habilidades de solução de problemas. O tempo ideal de sono seria 7 horas, então, o que também ajuda na saúde mental, já que os pesquisados que desviaram desse padrão tinham mais sintomas de depressão, ansiedade e menor bem-estar geral.

A razão para isso acontecer, acreditam os cientistas, está na disrupção do sono de ondas lentas, também chamado sono profundo. Quando ele é afetado, a consolidação da memória também é, porque nesse caso se acumulam amiloides — proteínas-chave que, quando têm seu funcionamento atrapalhado, acabam “emaranhando” o cérebro, o que é característico em certas formas de demência, como o Alzheimer. A falta de sono também pode diminuir a habilidade do cérebro de se livrar de toxinas.

Ligações entre as áreas do cérebro envolvidas com a estrutura cerebral de regiões do órgão envolvidas em processamento cognitivo e de memória, bem como a quantidade de sono diário também foram encontradas pelos cientistas, novamente associadas às 7 horas definidas pelo estudo. Estudos anteriores também ligaram a interrupção de padrões de sono com aumento nas inflamações do corpo, além de suscetibilidade a doenças relacionadas à idade em pessoas mais velhas.

O declínio cognitivo que acontece à medida que envelhecemos também pode estar ligado a dormir demais ou de menos, segundo os cientistas. Pesquisas anteriores também ligaram a duração do sono com o risco de desenvolver a doença de Alzheimer e demência, nas quais o declínio cognitivo é um sintoma chave.

Os autores do estudo terminam ressaltando a importância de uma boa noite de sono em todas as épocas da vida, mas particularmente à medida que vamos ficando mais velhos. Melhorar o sono de pessoas mais idosas pode ser crucial para ter uma vida melhor, com saúde mental e bem-estar e evitando o declínio cognitivo, principalmente em pacientes com desordens psiquiátricas e demência.