Quais efeitos colaterais podem surgir com a quarta dose da vacina contra covid?

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Por: Agências  Data: 22/06/2022 às 09:34
Imagem: AlagoasWeb/Arq

Com a chegada da recomendação da quarta dose de vacina contra a covid-19, atualmente apenas para pessoas acima de 40 anos, certamente surgem dúvidas quanto aos imunizantes — uma delas acerca de seus efeitos colaterais. Especialistas afirmam que as chances de ocorrer efeitos colaterais não serão diferentes das de outras doses, mas há detalhes a considerar, por exemplo, conforme o tipo de vacina tomada.

Reações e vacinas
No Brasil, temos quatro vacinas atualmente em uso: Janssen, Pfizer, Astrazeneca e CoronaVac. Os efeitos reativos sentidos são:

  • Dor no local da aplicação;
  • Mal-estar;
  • Dor no corpo;
  • Sensação febril;
  • Quadro gripal.

Eles costumam durar 24 horas, chegando ao máximo de dois dias. Com a quarta dose, também chamada de segundo reforço, não é diferente.

Efeito colateral é sinal de sistema imune reagindo?
Nem todas as pessoas vacinadas sentem sintomas como esses: segundo a bula das vacinas, cerca de 10% dos imunizados têm reações leves. Segundo especialistas, elas são sinais de que o sistema imune está reagindo à vacina. Há outras reações, mais raras ainda, constando na bula da Pfizer: elas são cansaço físico intenso, suor noturno e urticária, mas só aparecem em 0,1% a 1% das pessoas. Mesmo assim, são sintomas leves, principalmente em comparação aos sintomas da própria infecção por covid-19.

Além disso, alguns imunizantes e remédios mais comuns têm efeitos colaterais mais raros e graves, como os antitérmicos. Com a quarta dose, as chances de efeitos adversos são até menores: segundo os médicos, não há evidências de efeitos diferentes do que os já sentidos em outras doses, e, na verdade, a cada dose a chance de ocorrerem reações diminui. A primeira normalmente é a mais reatogênica.

Efeitos sentidos em doses adicionais normalmente acontecem quando a vacina utilizada é diferente das outras já aplicadas na pessoa, o que se chama de esquema heterólogo. Isso também varia de pessoa para pessoa: algumas têm uma inflamação inicial que precede a resposta geradora da memória imunológica. Outras têm maior sensibilidade aos sintomas, mas quem não sente nada continua sendo imunizado.

Os efeitos também dependem da tecnologia da vacina. Algumas são baseadas numa plataforma de adenovírus, que carrega o código genético do SARS-CoV-2. Essas têm maior chance de causar reações. No Brasil, as produzidas assim são as da Janssen e Astrazeneca; com RNA mensageiro, temos a Pfizer; e de vírus inativado, a Coronavac. Mesmo assim, lembramos: os efeitos adversos são leves.

Efeitos graves são possíveis?
Alguns poucos casos reportados pelo mundo incluem instâncias de efeitos adversos mais pesados: a vacina da Janssen, por exemplo, tem histórico de causar uma rara síndrome desencadeadora de coágulos sanguíneos, que, se não tratados, podem ser potencialmente mortais. A AstraZeneca também apresentou uma situação parecida.

Agências reguladoras dos Estados Unidos, como a Food and Drug Administration (FDA) limitaram o uso do imunizante Janssen no país por conta desses riscos, mas ele continua em uso. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que os benefícios da vacina são maiores que seus riscos, considerados muito raros.

Para garantir que os efeitos não sejam graves, é importante procurar atendimento médico e informar profissionais de saúde caso os sintomas piorem, por exemplo, caso as dores de cabeça sejam muito fortes ou persistentes, ou ocorram convulsões, alterações do estado mental, visão turva, hematomas inexplicáveis fora do local da vacina, além de falta de ar, dor no peito, dor ou inchaço nas pernas ou dor abdominal que não passa.

Além disso, especialistas lembram que nem todos os efeitos adversos — principalmente os mais graves — são causados pela vacina, podendo ser causados por outras condições de saúde do paciente. No entanto, nenhum efeito adverso, segundo os especialistas, indica que as vacinas não sejam seguras.

Há diversos estudos clínicos feitos para medir a segurança dos imunizantes, e as altas taxas de aplicação com poucos relatos de casos graves são ótimos sinais de que as vacinas são, sim, seguras — ou seja, não há motivos para desconfiar da quarta dose — nem das outras.