Não vive sem o celular? Conheça os efeitos do aparelho na saúde

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Por: Array / R7  Data: 07/11/2018 às 13:55
Fonte de Imagem: Pixabay

Especialistas explicam como o uso do celular interfere na mente, nas articulações, na visão e no sono; aparelho também é foco de bactérias

O infectologista João Prats, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que celulares são foco de bactérias. Segundo ele, tratam-se das mesmas bactérias do corpo, encontradas nas mãos e de lugares onde é guardado. Outras bactérias, que podem causar doenças, também podem estar presentes, mas são mais incomuns.

O manuseio do aparelho em transportes públicos e banheiros pode favorecer o aparecimento de bactérias infecciosas, segundo o infectologista. Mas, segundo ele, o celular é muito mais perigoso ao volante do que em relação ao número de bactérias que transporta. “Se tem uma ‘doença’ que o celular aumenta, é a quantidade de acidentes de trânsito. Quanto ao aparelho como foco de bactérias nocivas, os números não são significativos”.

O oftalmologista Jae Min Lee, da BP-A Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que a luminosidade do celular não causa problemas para a visão. O problema estaria na emissão de luz azul, comum aos aparelhos eletrônicos, que altera o ciclo do sono. Ficar no celular até a hora de dormir mantém o cérebro em estado de alerta, provocando uma má qualidade do sono .

O oftalmologista afirma que o uso de celular pode acentuar o problema de “vista cansada”, que pode ocorrer após os 40 anos. Neste caso, o aparelho pode causar dor de cabeça.

Lee afirma que a ardência sentida nos olhos ao ficar no celular é ocasionada pelo número de piscadas diminuírem quando se está focado em algo. Pelas piscadas diminuírem, a lubrificação dos olhos é prejudicada, causando ardência. O problema pode, ainda, ser agravado em ambientes secos e com ar-condicionado ou se houver predisposição do paciente para ter olho seco.

O ortopedista Marcelo Rosa, do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que o uso do celular pode causar problemas de postura e dores nas articulações. “Por haver um uso excessivo e intenso, muitas pessoas vêm apresentando problemas como a tendinite, bursite e cervicalgia”, afirma Rosa. O médico afirma que, ao flexionar o pescoço para baixo para olhar o celular, que é segurado na altura abdominal, os músculos do trapézio fazem com que o centro de gravidade mude, causando dores na região, e evidenciando a papada.

O ortopedista afirma que o uso repetitivo de alguns músculos, ocasionados pelos celulares, provoca dores nas mãos, braços e ombros. Segundo Rosa, observa-se um aumento na apresentação de dor na base do polegar nos consultórios, por conta da escrita de longos textos em espaços pequenos.

O uso do aparelho ainda pode causar dores no cotovelo devido à compressão nervosa ao dobrar o braço. As dores também são aumentadas por sobrecarga muscular, tensão e estresse. O ortopedista recomenda que, diariamente, seja feito alongamento de braços e mãos, sendo o melhor método para ter preparação muscular para mexer no aparelho.

A psicóloga Lia Belliero, do Programa de Transtornos do Impulso do IPq – Instituto de Psiquiatria do HC, afirma que os celulares apresentam aumento no índice de ansiedade entre as pessoas, por conta da necessidade de estar sempre conectado e atualizado.

Sintomas como ouvir ou sentir o celular tocar quando não está, sempre fazer tudo com o aparelho, ter rotina atrapalhada pelo celular e não suportar ficar longe dele podem ser sinais de nomofobia, ou seja, a dependência de smartphones. Já os quadros depressivos podem ser agravados, pois o paciente pode estar usando o aparelho como meio de suprir algo que está faltando em sua vida.

De acordo com a psicóloga, o uso de celulares e telas, em geral, entre crianças, deve ser dosado pelos pais e por quem cuida dela, por meio do estabelecimento de limites. “Crianças devem ficar o mínimo possível com as telas. Elas têm que brincar, descansar e fazer outras atividades. Celulares não devem virar uma espécie de ‘chupeta eletrônica'”.

A psicóloga afirma que, para se desintoxicar do uso excessivo, as pessoas devem se programar para ficar sem o aparelho por um determinado tempo, deixar o aparelho longe do quarto, para ter um bom descanso, desligar o celular e interagir mais com a família, amigos e com animais de estimação e não se esquecerem de viver a vida real, longe da realidade virtual.