Mulher é condenada a 34 anos de prisão por usar o Twitter

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Por: Olhar Digital via The Verge/The Guardian  Data: 18/08/2022 às 16:58
Fonte de Imagem: Democracia Agora

Salma al-Shehab, uma mulher saudita, foi sentenciada a 34 anos de prisão por causa de um retuíte ativista através de sua conta no Twitter. 

Além disso, Shehab, que era doutoranda na Universidade de Leeds, no Reino Unido, compartilhou postagens a favor dos direitos das mulheres dirigirem.

Ela foi presa em janeiro de 2021 após retornar à Arábia Saudita para férias. Salma al-Shehab, que é mãe de duas crianças, teve sua primeira sentença de seis anos de prisão apenas por usar a rede social e “perturbar a ordem pública e desestabilizar a segurança e a estabilidade do Estado”, fundamentado em ter compartilhado tuítes de ativistas sauditas que viviam no exílio e solicitavam a libertação de prisioneiros políticos no reino.

Porém, um tribunal de apelações na segunda-feira (15) decretou uma nova sentença, logo após um promotor público ter pedido ao tribunal que considerasse outros supostos crimes e então sua pena ficou em 34 anos de prisão seguidos de uma proibição de viagem de 34 anos.

A organização sem fins lucrativos Freedom Initiative, que defende os direitos de presos no Oriente Médio, informa que esta é a maior sentença já aplicada para uma ativista dos direitos das mulheres na Arábia Saudita.

De acordo com diversas fontes, Shehab não era ativista saudita líder e em seu Instagram ela era descrita como higienista dental, educadora médica, estudante de doutorado na Universidade de Leeds e professora da Universidade Princess Nourah bint Abdulrahman. Além de acrescentar ser esposa e mãe de seus filhos, Noah e Adam, na rede social na qual ela tinha apenas 159 seguidores.

E em uma análise de sua conta no Twitter, na qual Shehab possuía 2.597 seguidores, ela costumava tuitar sobre a Covid-19, sobre seus filhos pequenos e poucas vezes retuitou sobre indivíduos sauditas que vivem no exílio e que pedem a libertação de prisioneiros políticos no reino. 

Uma fonte próxima a Shehab afirmou que a mulher não tolerava injustiça e foi retratada como bem educada e uma leitora ávida que chegou ao Reino Unido para fazer seu doutorado em Leeds.

Em 2020 Shehab voltou para Arábia Saudita de férias e com a intenção de levar seus dois filhos e o marido de volta ao Reino Unido com ela. Com isso, a mulher foi convocada para um interrogatório pelas autoridades sauditas e acabou presa e julgada por seus tuítes.

Segundo uma pessoa que acompanhou o caso de Shehab, a mulher foi mantida por diversas vezes em um confinamento solitário. Ela também tentou falar em particular com o juiz sobre como foi tratada, o que Shehab não queria declarar na frente de seu pai. 

Porém, ainda segundo a mesma pessoa, ela não conseguiu a permissão para se comunicar com o juiz. O veredicto de apelação foi assinado por três juízes, mas as assinaturas eram ilegíveis.