Homens também sofrem com separações – e lidam com elas de modo saudável

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Por: Diário da Saúde  Data: 09/08/2022 às 09:26
Fonte de Imagem: Ilustração

O estereótipo popular de que os homens não querem apoio durante um rompimento, separação ou divórcio, simplesmente não é verdadeiro, afirmam psicólogos.

Na realidade, muitos homens procuram ajuda, seja indo a terapeutas, conselheiros profissionais ou acessando recursos on-line e livros de autoajuda, ou ainda procurando amigos, familiares e grupos comunitários.

Ou seja, em vez de sofrerem calados, os homens podem ser engenhosos e resilientes, encontrando meios de lidar com mudanças dolorosas no relacionamento.

“Um relacionamento fracassado pode levar a um estresse mental significativo – os homens já têm maiores riscos de suicídio do que as mulheres, e a separação conjugal aumenta esse risco quatro vezes. Ao explorar as maneiras pelas quais os homens procuram ajuda após uma separação, podemos projetar melhores suportes para sua saúde mental,” disse a professora Mary Kelly, da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá).

“Também é importante mudar a narrativa,” acrescenta seu colega John Oliffe. “A história contada mais frequentemente é que, quando um relacionamento termina, o homem entra em crise e/ou comete violência contra sua parceira, mas essa não é a trajetória da maioria dos homens. É de grande auxílio para os rapazes ver que a maioria dos rompimentos acaba com os homens trabalhando em seus desafios, apoiando-se em ajuda.”

Busca criativa de ajuda
Cerca de um quarto dos homens entrevistados pelos dois pesquisadores disseram que fizeram muitas buscas na internet por blogs, aconselhadores e outros recursos. Esses homens normalmente eram mais jovens ou seus relacionamentos tinham durações mais curtas.

Eles também procuraram amigos ou familiares, não necessariamente para encontrar uma solução, mas para conversar, e leram livros de autoajuda.

Homens que estiveram em relacionamentos de longo prazo, onde crianças estão envolvidas ou que podem estar lidando com litígios, divisão de bens e assim por diante, eram mais propensos a fazer novas conexões e buscar ajuda baseada na comunidade, como grupos de pais ou grupos de homens locais que passaram por separação ou divórcio.

Cerca de metade dos homens contratou serviços profissionais de saúde mental, como aconselhamento. Normalmente, esses eram homens que tinham uma doença mental pré-existente ou aqueles que precisavam de ajuda formal para superar a enormidade do que estavam sentindo.

“Isso quebra a noção de que os homens não são emocionais e não são afetados tanto quanto o resto de nós por um rompimento. Também tendemos a pensar que os homens não fazem introspecção ou sentem vulnerabilidade, mas muitos deles estavam realmente envolvidos nesse tipo de trabalho profundo,” disse Kelly.