Chuvas no Nordeste: entenda por que está chovendo tanto na região

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Por: iG  Data: 03/06/2022 às 09:53
Imagem: AlagoasWeb/Arq

O Nordeste tem enfrentado fortes chuvas no últimos dias, que causaram destruição, deslizamentos, deixaram pessoas desalojadas e desabrigadas, além de um grande número de mortos. A região mais afetada foi a do Grande Recife, em Pernambuco, estado que, até o momento, já registrou 126 óbitos, segundo o Corpo de Bombeiros .

Ao iG , o meteorologista Flaviano Fernandes, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que um dos fatores que pode esclarecer o grande volume de chuvas na região Nordeste é o La Niña.

O fenômeno climatológico é caracterizado pelo resfriamento das águas do oceano Pacífico, fazendo com que seus efeitos sejam sentidos em diversos lugares do mundo. No Brasil, entre outras implicações, ele é conhecido por causar um aumento no volume de chuvas nas regiões Norte e Nordeste.

“O Nordeste é uma área atingida por vários fenômenos meteorológicos, o que favorece o aparecimento das chuvas”, diz o especialista. “Nós estamos com o fenômeno La Niña e também com as águas bastante aquecidas no oceano Atlântico, com temperaturas mais ou menos um grau acima do normal, o que faz com que ocorra bastante evaporação e, com isso, essas chuvas fortes”.

Segundo o meteorologista, no leste da região, onde ocorreu a maior parte das chuvas nas últimas semanas, também há influência dos Distúrbios Ondulatórios de Leste, também chamados de Ondas de Leste. O fenômeno produz grande liberação de calor e provoca perturbações no vento e pressão atmosférica na faixa tropical do globo, podendo causar tempestades na parte leste do Nordeste, como Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Essa quantidade de chuva era esperada?
Flaviano explica que abril, maio, junho e julho são os meses que mais chovem no leste da região, que vai desde Natal (RN) até Salvador (BA). No entanto, o aquecimento das águas do Atlântico favorece um volume ainda maior de chuvas do que o esperado para esta época do ano. “As previsões são de chuvas do nível ‘normal’ a ‘acima do normal’ para este período, principalmente na região litorânea, e o que ocorreu nesses dias ficou bem acima do normal.”

Ele ainda alerta que as chuvas devem permanecer atuando até agosto, já que são os meses mais chuvosos da região leste.

“Os estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas foram os mais atingidos por essas chuvas intensas nas últimas semanas, mas ainda existe a possibilidade de outros lugares que compõem a parte leste da região também passarem por algum fenômeno que proporcione chuvas fortes, principalmente os estados localizados entre Rio Grande do Norte e Alagoas, onde as águas estão mais aquecidas”, afirma. “Mas também não se descarta a possibilidade de tempestades em Sergipe e na Bahia.”

No início deste ano, a  Bahia voltou a ser castigada por fortes chuvas após uma tragédia que assolou o estado no final do ano passado , deixando mortos, desabrigados, desalojados e casas completamente destruídas e alagadas.

Próximos dias
Nessa quinta-feira (2), o Inmet emitiu um alerta de perigo devido à possibilidade de chuvas intensas em quatro estados da Região Nordeste : Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. O aviso vale desde esta sexta (3) até a manhã de sábado (4).

De acordo com o instituto, as chuvas podem variar de 50 a 100 milímetros ao dia, com ventos intensos de 60 a 100 quilômetros por hora, e devem atingir as capitais São Luís e Fortaleza, além das regiões “norte cearense, noroeste cearense, leste maranhense, norte maranhense, oeste potiguar, oeste maranhense, metropolitana de Fortaleza, Jaguaribe, norte piauiense, sertões cearenses, central potiguar, centro-norte piauiense, agreste potiguar, leste potiguar”.

Também é importante se atentar a possíveis desastres que podem ser causados pelas tempestades. Conforme o Inmet, há riscos de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

Segundo levantamento feito pelo iG junto ao Ministério do Desenvolvimento Regional, mais de 500 pessoas já morreram no país no primeiro semestre de 2022 devido às chuvas . Esse dado já é maior que o número registrado no ano de 2019 inteiro, que até então era considerado o recorde, com 297 mortes.