Autoestima é mais elevada entre os homens do que entre as mulheres no Brasil

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Por: Diário da Saúde  Data: 13/06/2022 às 10:23
Fonte de Imagem: Ilustração

Apenas 3% dos homens brasileiros se acham feios, enquanto 47% deles se consideram bonitos, levando a uma autoestima elevada, de acordo com um estudo do Instituto Ideia com 663 voluntários.

Entre as mulheres, contudo, a realidade parece ser outra: 20% delas sofrem com baixa autoestima, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Kantar.

A professora Tatiane Possani, da USP, afirma que uma das razões para isso – as mulheres se tornarem mais autocríticas do que os homens – é que, desde muito jovens, as mulheres apresentam cobranças familiares e sociais em relação aos seus corpos e comportamentos, favorecendo uma maior insatisfação corporal.

A autoestima feminina e masculina é favorecida por aspectos sociais, culturais e por experiências individuais.

Contudo, enquanto características físicas têm grande relevância para as mulheres, para os homens, fatores como o autorreconhecimento implicam mais na sua baixa autoestima, como o fato de estar empregado ou não.

Apesar dos avanços conquistados com a luta por igualdade de gênero, a psicóloga explica que ainda há muitos resquícios do patriarcado, quando as mulheres eram consideradas um objeto de posse dos homens e vistas como inferiores. Essa realidade colaborou historicamente para que as mulheres valorizassem a aparência dos seus corpos em detrimento de outros aspectos, como a funcionalidade do seu corpo.

Autoestima por gênero
Padrões físicos são compartilhados e estimulados pela mídia a todo momento, influenciando a construção da imagem corporal, muitas vezes de maneira negativa. A imposição de um padrão atinge homens e mulheres, mas em intensidades diferentes.

Apesar de as mulheres serem o principal alvo de propagandas publicitárias e de terem seus corpos objetificados na mídia com frequência, sendo influenciadas de maneira relevante, os homens não são imunes a essas influências.

“Os estudos existentes mostram que os homens estão cada vez mais ocupando espaço na mídia ocidental, e algumas pesquisas sugerem que essa maior exposição pode ser prejudicial a eles, tendo consequências negativas semelhantes às das mulheres,” disse Tatiane.

Impactos da baixa autoestima
Problemas com a baixa autoestima podem surgir em diferentes áreas da vida do homem e da mulher, geralmente de maneira semelhante. A autoestima no geral é construída em uma série de domínios, como competências acadêmicas, aparência física, status de relacionamento e apoio familiar.

Cada indivíduo pode basear sua autoestima com mais intensidade em um desses domínios, o que define consequentemente a área mais afetada na sua vida. A psicóloga conta que, “de forma geral, a baixa autoestima pode favorecer o isolamento social, insegurança e a autodesvalorização generalizada”.

No entanto, em casos em que o indivíduo aposta sua autoestima na aparência, transtornos diferentes ocorrem em homens e mulheres. Enquanto entre eles a vigorexia é mais comum, entre elas predominam a anorexia e a bulimia nervosa. Já o uso abusivo de álcool e drogas é mais prevalente no homem do que na mulher, segundo a especialista.