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O novo normal ‘pós-americano’

Reprodução
O sistema liberal poderá sobreviver?

A pandemia do novo Coronavírus tende a expor na prática o que Fareed Zakaria (especialista em Relações Internacionais, editor da revista TIME e da rede CNN) havia escrito em meados de 2008 em seu artigo “O mundo pós-americano”. Zakaria indagou a possibilidade real de que outras nações pudessem adquirir um protagonismo relativo se comparado com as grandes nações ocidentais, dentre eles Estados Unidos, Reino Unido e países da União Europeia.

O especialista deixa claro que a alteração de protagonismo no cenário internacional não está relacionada com um possível declínio de nações tradicionais, mas sim com a ascensão do que o próprio nomeia de “o resto”, dentre as nações inseridas neste termo, tem-se a China e a Índia como principais lideranças.

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Deste modo, os Estados Unidos não poderiam impedir a ascensão chinesa, porém, podem fazer com que o poder chinês seja praticado dentro de moldes e instituições que os americanos e aliados construíram ao longo dos anos. Na falha deste plano, a posição global dos Estados Unidos estará enfraquecida, contudo, o sistema internacional por eles liderado continua sendo a ordem dominante do século 21.

Os números econômicos divulgados hoje pela mídia brasileira (G1.com) trouxe à tona a concretização das ideias previstas por Fareed. É importante ressaltar que apenas China e Índia tiveram variação positiva no PIB neste último semestre (11,5 % e 0,7%, respectivamente). Tais resultados provam a harmonia perfeita com que estas nações conseguiram lidar com os reflexos da COVID-19 e ainda sim fazer com que indexadores econômicos pudessem variar positivamente.

No caso da China e da Índia, além da competência ao assumir uma crise sanitária global, a proporção territorial extremamente continental dos países faz que com não ocorra grandes perdas de sua economia.

Deste modo, cabe aos analistas internacionais fomentar pensamentos que atentam para a atual posição dos países que outrora ocupavam as posições de liderança, atiçando debates intelectuais americanos sobre o direcionamento da nova ordem mundial e apontar quais são, de forma direta, as vantagens e desvantagens dessa alternância de potencialidades no cenário internacional.

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