Casada com chefe do CV de Alagoas, candidata a deputada no Rio escondia rosto do marido em fotos nas redes
Zé Dirceu é apontado pela Secretaria de Segurança como o número 2 na hierarquia da facção no estado do Nordeste

No último dia 11, Mariana de Souza (Progressistas) teve sua candidatura a deputada federal barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) sob a alegação de que sua campanha é apoiada pelo Comando Vermelho (CV). Moradora do Complexo da Penha, Mariana é casada com Wilson Marques de Albuquerque, o Zé Dirceu, apontado pela Secretaria de Segurança de Alagoas como o número 2 na hierarquia da facção no estado.
A candidata recorreu da decisão, alegando que foi enganada pelo traficante, que teria se apresentado como Fábio. “Logo após descobrir seu passado e sua condição de foragido, Mariana rompeu o vínculo e não tem mais contato” com Albuquerque, alegou sua defesa. Enquanto o recurso não é julgado, ela segue fazendo campanha na Penha.
Albuquerque veio para o Rio após fugir do Presídio de Segurança Máxima 2, em Maceió, em setembro de 2017. Na ocasião, ele e mais 11 detentos conseguiram escapar depois de serrarem as grades de uma cela durante uma madrugada. A fuga só foi descoberta na manhã seguinte. Desde então, o traficante está foragido, com mandados de prisão em aberto por crimes como tráfico de drogas e roubo.
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Antes de conhecer Mariana, Albuquerque foi condenado a 15 anos de prisão por usar uma ex-namorada como "mula" para transportar drogas. A polícia alagoana identificou que, mesmo preso, o traficante instruiu a mulher, pelo celular, a encontrar imóveis para acondicionar cargas de cocaína que revendia em Maceió. A partir das ligações do casal, os agentes conseguiram apreender sete quilos de pasta-base que haviam acabado de chegar à cidade, em março de 2012.
Segundo um levantamento feito pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), Mariana e o traficante começaram a se relacionar em 2021, após ele chegar ao Rio, e tiveram um filho dois anos depois. Em 4 de janeiro de 2025, os dois oficializaram a união numa cerimônia na Igreja Batista no Grotão, dentro do Complexo da Penha. Curiosamente, apesar de alegar não saber que se relacionava com um foragido, Mariana evitava mostrar o marido nas redes sociais: em imagens postadas por ela, obtidas pelo GLOBO, há sempre algo escondendo o rosto do homem.
No pedido de impugnação da candidatura, o MPE também alegou que não seria a primeira tentativa de integrantes do CV de Alagoas de se infiltrar no processo eleitoral. Num áudio interceptado pela polícia em 2024, José Emerson da Silva, o Nem Catenga, outro chefe da facção também escondido no Complexo da Penha, pediu que Patrick de Almeida Silva, o PTK, um influenciador alagoano, que se candidatasse a vereador em Maceió em nome do grupo: “Nós vamos ter que ter um representante nosso aí pra dar continuidade”, disse.
A defesa de Mariana não respondeu o GLOBO. Num vídeo postado nas redes sociais, ela negou ter apoio do CV. “Em 2024, eu fiz quase 2 mil votos. Se eu tinha apoio da organização local, por que eu não fiz muito mais? Se eu estava com a máquina da organização local, por que eu não ganhei e eleição, então? Querem me criminalizar por ser da comunidade”, afirma. Os demais citados não foram localizados.
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