Alagoano cria equação para prever tamanho de nanopartículas de ouro
Trabalho reúne conhecimentos de matemática, física, química, nanotecnologia e computação

O pesquisador alagoano Matheus dos Santos Farias, natural de Girau do Ponciano, desenvolveu uma nova formulação matemática para estudar e prever a evolução do tamanho de nanopartículas de ouro.
Físico teórico aplicado e pesquisador em formação no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN-USP), Matheus criou o chamado Modelo Padrão Farias (MPF).
A proposta utiliza matemática e computação para simular como o tamanho dessas partículas pode mudar ao longo do tempo.
O pesquisador criou uma ferramenta matemática capaz de simular o crescimento de nanopartículas de ouro, aproximando a matemática de áreas como nanotecnologia, física e pesquisas em saúde.
Como funciona
As nanopartículas são estruturas extremamente pequenas. Para estudar sua formação, Matheus desenvolveu uma equação diferencial que considera diferentes fatores que podem influenciar o crescimento e a estabilidade dessas partículas.
O modelo foi implementado em Python, permitindo realizar simulações e testar diferentes condições de formação das nanopartículas. A ferramenta também pode ajudar pesquisadores a avaliar cenários antes ou em conjunto com experimentos realizados em laboratório.
A proposta não substitui os experimentos científicos. O objetivo é oferecer uma ferramenta complementar para ajudar no planejamento e na análise das pesquisas.

Possíveis aplicações
O trabalho reúne conhecimentos de matemática, física, química, nanotecnologia e computação. As nanopartículas de ouro são estudadas em diferentes áreas, inclusive em pesquisas biomédicas.
De acordo com o pesquisador, o modelo também considera situações relacionadas à síntese radioativa e à nanobraquiterapia, área que pesquisa o uso de conceitos de nanotecnologia e física nuclear em aplicações na saúde. Eventuais aplicações médicas, porém, ainda dependem de pesquisas experimentais, validações e estudos de segurança.
Do interior de Alagoas para a pesquisa científica
Natural de Girau do Ponciano, Matheus dos Santos Farias leva o nome do município do Agreste alagoano para um trabalho desenvolvido em um dos principais centros brasileiros de pesquisa em áreas relacionadas à energia nuclear e aplicações científicas.
O desenvolvimento também avançou para a área de propriedade intelectual. Um pedido de patente relacionado ao controle preditivo da síntese de nanopartículas metálicas foi registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
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