Fios e carregadores ampliam acidentes elétricos com pets em ambientes residenciais

Redação / Sérgio Dias para o AlagoasWeb 06/02/2026

Organização dos cabos e supervisão reduzem risco de queimaduras internas e complicações cardíacas

Fios e carregadores ampliam acidentes elétricos com pets em ambientes residenciais
Fios e carregadores ampliam acidentes elétricos com pets em ambientes residenciais (imagem: divulgação)

Tomadas expostas, fios desencapados e carregadores de celular conectados à rede elétrica têm provocado acidentes com cães e gatos dentro de residências brasileiras. O risco envolve choques elétricos, queimaduras internas e alterações cardíacas que podem evoluir para complicações graves. Os casos ocorrem principalmente no ambiente doméstico, onde a circulação livre dos animais e a presença de cabos energizados criam condições para incidentes que muitas vezes passam despercebidos até o momento da emergência.

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Fios e carregadores ampliam acidentes elétricos com pets em ambientes residenciais

“Muitas vezes o tutor não percebe a gravidade do choque elétrico, porque o animal não apresenta ferimentos visíveis. No entanto, as queimaduras podem ser internas, atingir a cavidade oral, os pulmões e até provocar alterações cardíacas que colocam a vida do pet em risco”, afirma a médica-veterinária Juliana Piza Conceição, do Nouvet Centro Veterinário 24h. Segundo ela, a ausência de sinais externos imediatos pode retardar a busca por atendimento, aumentando a possibilidade de agravamento do quadro clínico.

Entre os itens mais associados a ocorrências estão carregadores de celular conectados à tomada, extensões elétricas posicionadas no chão e fios finos deixados ao alcance dos animais. Ao morder um cabo energizado, o pet pode sofrer queimaduras profundas na boca, na língua e na gengiva, além de apresentar salivação excessiva, dificuldade respiratória e alterações no ritmo cardíaco. Em determinadas situações, o choque pode levar à parada cardiorrespiratória.

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Filhotes e animais jovens figuram entre os mais expostos. A fase de troca de dentição e o comportamento exploratório aumentam a tendência de roer objetos. Gatos também se encontram em grupo de risco, especialmente quando há fios soltos e pendentes que se movimentam com facilidade, estimulando a interação. A combinação entre curiosidade e acesso facilitado amplia a probabilidade de contato com a rede elétrica.

Fios e carregadores ampliam acidentes elétricos com pets em ambientes residenciais

Além das características etárias, o manejo diário influencia o cenário. O adestrador e especialista em comportamento animal Fernando Lopes explica que parte dos acidentes está relacionada à ausência de estímulos adequados. Segundo ele, quando o animal não dispõe de brinquedos apropriados ou de atividades regulares, tende a buscar alternativas para gastar energia, o que pode direcionar a atenção para cabos e objetos ligados à tomada.

Medidas preventivas incluem organizar e fixar fios junto às paredes, utilizar protetores de tomada e evitar deixar carregadores conectados sem necessidade. A oferta de brinquedos próprios para mastigação e a supervisão em áreas com equipamentos elétricos também integram as orientações de especialistas. A adoção dessas práticas reduz a exposição ao risco e limita o acesso direto do animal a fontes energizadas.

Em caso de choque elétrico, a recomendação de profissionais de saúde veterinária é desligar imediatamente a fonte de energia antes de tocar no animal, a fim de evitar novos acidentes. Após interromper a corrente, o tutor deve manter o pet aquecido e imóvel, limpar delicadamente a boca se houver excesso de saliva e procurar atendimento veterinário 24 horas. Mesmo quando há aparente recuperação, o acompanhamento clínico é indicado, pois podem surgir edema pulmonar, arritmias e lesões internas horas depois do ocorrido.

“Qualquer fio energizado, ao ser mordido, pode causar queimaduras profundas na boca, língua e gengiva, além de edemas e dificuldade respiratória. Em casos mais graves, o choque pode ser fatal”, reforça Juliana Piza Conceição. Segundo a veterinária, a prevenção depende de mudanças na organização da casa e de atenção contínua aos pontos de energia acessíveis aos animais.

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