Dra. Karla Caires alerta sobre os perigos da gravidez na adolescência

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Por: Array / AlagoasWeb  Data: 11/02/2019 às 10:05
Fonte de Imagem: AlagoasWeb

Medica ginecologista e obstetra falou sobre os perigos da gestação nesse período da vida jovem

Em entrevista ao Programa Cidade em Foco, transmitido pela Rádio Caeté FM, na última quinta-feira, dia 07, a medica ginecologista e obstetra Karla Caires Nobre, alertou sobre os perigos da gravidez na adolescência.

“São vários os perigos da gestação ocorrida em jovens de até 20 anos que se encontram, portanto, em pleno desenvolvimento dessa fase da vida – a adolescência”, enfatizou.

A medica lembra que esse tipo de gravidez, em geral não planejada e desejada, acontece em meio a relacionamentos sem estabilidade, “e mesmo que aconteça dentro de um relacionamento estável, ainda é considerado gravidez na adolescência e aumenta os riscos de complicações tanto para a mãe como para o bebê. No Brasil os números são alarmantes”, frisou.

A ginecologista destaca que a adolescência já é uma fase complexa da vida, “além dos hormônios, que nessa etapa afloram causando as mais diversas mudanças no adolescente, outros assuntos preocupam e permeiam as mentes dos jovens, escola, vestibular, profissão, é um turbilhão de acontecimentos ao mesmo tempo”, observa.

Ele acrescenta que a gravidez, por sua vez, também é uma etapa complexa na vida. “Ter um filho requer desejo tanto do pai quanto da mãe, mas não só isso. Atualmente, com problemas como a instabilidade econômica e a crescente violência, são necessários, além de muita consciência e responsabilidade, um amplo planejamento. Quando isso não acontece, a iminência de acontecerem problemas é muito grande”.

De acordo com a medica, uma em cada cinco mulheres no mundo tem já tem um filho antes dos 18 anos e a cada ano nascem 16 milhões de crianças, filhas de mamães adolescentes. Nas regiões mais pobres do planeta, o índice é maior: uma em cada três mulheres são mães na adolescência.

A ginecologista enfatiza a realidade no estado, “em Alagoas, em São Miguel não é diferente, entre 23 e 25% das gestantes são adolescentes”. Ela enumera os principais riscos: maior número de abortos espontâneos, partos prematuros e muitos bebês que nascem antes da 37ª semana de gestação.

A medica também destaque que os bebês nascido de mães adolescentes têm um peso baixo da medica, “já que a imaturidade do seu corpo faz com que o seu útero não tenha se desenvolvido completamente”, explica, “as mamães adolescentes têm filhos com mais problemas de saúde e transtornos de desenvolvimento”, completa.

“Nos casos de gravides de meninas com menos de 15 anos, o bebê tem mais possibilidades de nascer com má formação”, diz a medica, que acrescentando que os problemas vão além da gestação, “temos diversos casos de repercussões negativas na escola, já que 40% das adolescentes que engravidam não conseguem continuar estudando”.

Karla acredita que a melhor prevenção é uma boa educação sexual dentro do seio familiar. “É importante informar sobre os riscos e complicações da gravidez na adolescência e todas as mudanças que acontecem a partir do momento que uma adolescente engravida”, afirma.

A medica conclui dizendo que o diálogo em família é essencial e deve haver uma conversa aberta e transparente para que as jovens tenham toda a informação ao seu alcance.