Microbioma, absorção de nutrientes e imunidade colocam o intestino no centro do acompanhamento veterinário

O motivo que leva tutores de cães e gatos a buscarem atendimento veterinário pode estar na mudança discreta das fezes, na recusa alimentar ou em episódios de vômito. O que parece um evento isolado costuma revelar um sistema em desequilíbrio. No consultório, o trato gastrointestinal figura entre os principais focos de investigação clínica em cães e gatos.
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Cuidado gastrointestinal define a saúde de cães e gatos
Levantamentos internacionais indicam que cerca de 27% das consultas veterinárias estão relacionadas a alterações gastrointestinais. O dado coloca esses distúrbios no centro da rotina clínica e evidencia a necessidade de orientação técnica, acompanhamento contínuo e definição de estratégias que envolvem diagnóstico e manejo alimentar.
As alterações gastrointestinais correspondem a quadros que interferem na digestão, na absorção de nutrientes e no trânsito intestinal. Elas podem se manifestar de forma aguda, com início súbito e risco de desidratação, ou de forma crônica, quando persistem ou se repetem ao longo do tempo. Em ambos os casos, o impacto pode atingir o escore de condição corporal e demandar acompanhamento prolongado.
O sistema digestivo de cães e gatos é composto por cavidade oral, esôfago, estômago, intestinos delgado e grosso, além de fígado e pâncreas. Esses órgãos atuam de forma integrada para garantir digestão adequada, absorção de nutrientes, equilíbrio hídrico e eletrolítico e suporte imunológico. Nesse contexto, o microbioma intestinal ocupa papel central ao reunir microrganismos envolvidos na produção de vitaminas, na digestão de componentes alimentares e na proteção contra agentes potencialmente nocivos.

Quando ocorre desequilíbrio do microbioma, condição conhecida como disbiose, há comprometimento da função digestiva e possibilidade de processos inflamatórios. Entre os fatores associados às alterações gastrointestinais estão ingestão de alimentos inadequados, infecções virais, bacterianas ou parasitárias, doenças inflamatórias intestinais, alterações hepáticas e pancreáticas e reações adversas a componentes da dieta.
Os sinais clínicos mais observados incluem vômito, diarreia e constipação. Também podem ocorrer alterações no apetite, perda de peso, flatulência e mudanças no aspecto das fezes. A observação desses sinais pelo tutor e a comunicação ao médico-veterinário são etapas relevantes para a definição do diagnóstico e do plano de manejo.
A identificação precoce é determinante para reduzir complicações e orientar a conduta clínica. O profissional pode lançar mão de exames laboratoriais, de imagem e de avaliação detalhada do histórico alimentar e ambiental do animal. A partir desse conjunto de informações, estabelece-se a estratégia terapêutica, que frequentemente inclui ajuste nutricional.

A nutrição integra o suporte clínico nos quadros gastrointestinais. Em situações agudas, podem ser indicados alimentos de alta digestibilidade e densidade energética, com o objetivo de facilitar a absorção de nutrientes e auxiliar na recuperação. Em condições crônicas, a dieta pode ser adaptada para uso contínuo, conforme a enfermidade diagnosticada.
Existem formulações específicas para diferentes necessidades, como dietas com teor reduzido de gordura, opções com controle de fibras para casos responsivos ao manejo nutricional com fibras e alimentos com proteínas hidrolisadas para situações associadas a alergias alimentares ou enteropatias crônicas. Também há dietas direcionadas a alterações hepáticas, recuperação nutricional intensiva e uso por sonda alimentar, quando indicado.
O cuidado gastrointestinal em cães e gatos envolve, portanto, a atuação conjunta do tutor e do médico-veterinário. A atenção aos sinais clínicos, o diagnóstico fundamentado e o uso de suporte nutricional específico compõem as etapas do manejo. Diante da frequência desses quadros na rotina clínica, a saúde digestiva passa a ocupar posição estratégica no acompanhamento dos animais ao longo da vida.
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