11 de dezembro de 2017

Contos do Fachini

Valdir Fachini

Compositor  - Escritor

valdirfachini53@gmail.com

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24/11/2017

Papel picado

Sentindo saudade daqueles momentos lindos que tivemos tempos atras, procurei nos meus guardados, alguma coisa que pudesse diminuir a minha tristeza.

Durante algum tempo, estive segurando aquele grampo de cabelo que era seu, mas isso não aplacou a minha dor, só aumentou, porque na hora me vi alisando suas madeixas.

Talvez eu tenha ficado minutos ou horas deitado ali naquela cama que um dia foi nossa, relembrando nossos bons e maus momentos, os meus e os seus erros, os seus e os meus acertos.

Tantas e tantas vezes, nós rimos juntos por uma piada sem graça que contei, outras tantas, nós choramos por uma mancada que eu dei, Éramos felizes enquanto acreditávamos que nosso amor seria eterno, nos entristecíamos quando surgia um pequeno obstáculo.

Levantei e busquei mais lembranças no meio de outras tantas, que até hoje não me desfiz, não sei porque, quem sabe por masoquismo, descobri uma velha carta que a muito estava esquecida.

As doces lembranças do amor que tivemos despertou a tristeza e mexeu na ferida.

Então pra não sofrer mais não a-li, pois eu já sabia o conteúdo, conhecia de cor, cada erro de português, cada vírgula que faltava, cada acento que sobrava.

Eu sabia que, pra frase que eu lesse, seria uma lágrima a mais, molhando a folha daquela amarelada missiva.

Sem pensar duas, três ou quatro vezes, a rasguei, fiz um amontoado de papel picado e joguei na rua e o vento levou.

Quem sabe algum pedacinho daquela triste carta, pode ter caído ao lado de alguém que tenha um sofrimento igual ao meu, ou talvez o mesmo vento tenha carregado outro pedaço pro quintal de alguém que esteja amando alguém que também esteja te amando.

Voltando aos guardados, achei um também amarelado retrato seu.

Tive a impressão de te ver ali sorrindo pra mim e revi naquele sorriso uma história de amor de quase uma vida inteira.

Também o-rasguei, na rua joguei pra não mais sofrer, se for pra chorar toda vez que lembrar , eu prefiro esquecer.

Novamente o vento arrastou pra longe o seu sorriso e suas lembranças.

Quem sabe um pedacinho dessa foto tenha sido levado pela brisa até onde você esteja, quem sabe, você reconheça seu sorriso num pequeno pedaço de fotografia e se lembre que nessa hora estava sorrindo pra mim.

Quem sabe também sinta saudade, caminhe contra o vento e chege até meus abraços novamente.

E o vento levou, levou as lembranças, mas sua saudade em meu peito ficou.

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